Quando todos parecem ter olhos para o novo, ele surge na contramão. Proveniente de casarões e galpões antigos, encanta pelos vestígios impressos na superfície – riscos, veios profundos, restos de tinta. “A sustentabilidade fez despertar o interesse pelo reúso de madeiras que seriam descartadas”, diz o designer de interiores paulista Fábio Galeazzo. Muitos elegem o piso de madeira de demolição pelo aspecto rústico. “Deixa o ambiente aconchegante”, opina a arquiteta Karina Afonso, também de São Paulo. A intensa procura, inclusive, estimulou a indústria a criar exemplares novos que imitam a textura do material antigo. Clique nos itens abaixo para conferir as dicas de como comprar e instalar, depois encante-se com ambientes que exibem este belo piso. 
Compra segura
Nesse cenário, é preciso atenção para não ser enganado e levar gato por lebre. Segundo Elias da Rosa, proprietário da Natufloor, de São Paulo, peças originais possuem furos de pregos, ranhuras inconstantes e bitolas diferentes. Por isso, é mais seguro adquirir o material antigo ou novo de empresas que respondem pelo revestimento e também pelo preparo, instalação e assistência técnica. Quem preferir arrematar o lote fechado de depósitos e demolições deve ter em conta uma perda de entre 15 e 30% (peças deterioradas, que acabam inutilizadas). Além disso, é preciso contar com um marceneiro de confiança, já que a instalação desse tipo de piso requer grande habilidade.

Soluções sob medida
Segundo o arquiteto paulista Fabio Levi, a madeira mais comum em demolições é a peroba-rosa de velhos pisos ou vigamentos. Estes últimos oferecem comprimento e bitolas maiores – e por isso mesmo costumam custar caro. Na percepção do arquiteto Gustavo Dias, especialista na renovação de construções históricas de Tiradentes, MG, a peroba é artigo escasso; o cedro, raríssimo. Ele trabalha usualmente com canela-parda e canela-preta. E, assim como outros profissionais, prefere repetir a função inicial: assoalho segue assoalho, viga continua viga. “Os pisos antigos são gastos de uma maneira própria, cuja beleza é difícil de reproduzir”, justifica. Vale lembrar que nesse mercado não existem apenas peças centenárias e espécies raras. Depósitos e casas em demolição também dispõem de madeiras extraídas mais recentemente, caso do ipê.

Tudo começa pela limpeza (feita preferencialmente com máquinas de água e alta pressão, em vez de substâncias químicas corrosivas, que podem danificar a madeira). Uma vez secas, as réguas precisam ser aplainadas para ficar com a mesma espessura. Há quem utilize apenas a face desgastada pelo tempo. Outra opção é aproveitar também o lado liso para evitar perdas. Só então as peças são cortadas na lateral para ganhar encaixes do tipo macho e fêmea (o mais comum) ou empena (espécie de chanfrado). Se planejadas como junta seca, elas ficarão lado a lado, sem encaixes – de efeito mais rústico. Nesse caso, costuma-se dispensar posteriormente a massa de calafetação (aplicada no encontro das réguas) e adotar cera no acabamento. Todas essas tarefas cabem ao fornecedor do material, ao depósito ou ainda ao marceneiro e são feitas numa oficina. “Retiro os pregos e tampo os buraquinhos o mínimo possível, com massa F12 [Fusecolor], para não alterar as características da madeira”, diz Getúlio José dos Santos, da Antigão Demolições, de São Paulo. Ele também tinge ou mantém restos de tinta, de acordo com o gosto do cliente. Se necessário, faz-se ainda a descupinização preventiva – embora espécies como peroba-rosa, ipê, canela e jatobá sejam naturalmente resistentes.
1. Feita com resíduos de madeira de reflorestamento, a régua da linha Amazonic imita demolição. Da Casa Fortaleza, tem 15, 20, 25 ou 30 cm de largura e comprimento de 2,70 m. A partir de R$ 350 o m². 2. Peroba-mica com ranhuras transversais imitando demolição. Da Pau-Pau, tem 10, 15 ou 20 cm de largura – comprimento sob medida. De R$ 215 a R$ 250 o m² colocado. 3. Peroba de demolição lixada, com restos de tinta. Da Lavoro & Arte, mede 20 cm de largura e de 2 a 3,50 m de comprimento. R$ 280 o m² instalado. 4. Régua (10 ou 15 cm) de peroba com ranhuras feitas a máquina e pintura ebanizada à base de epóxi. Da Natufloor, tem cores e comprimentos variados. R$ 320 o m² instalado. 5. Piso (6, 7, 10, 15 ou 20 cm) de cumaru envelhecido com até 2,10 m de comprimento. Da Recoma, R$ 308 o m² instalado. 6. Peroba-rosa envelhecida (20 cm) e com resina fosca, da Assoalhos Morumbi. Tem até 2,50 m de comprimento. R$ 140 o m² sem instalação e R$ 245 o m² instalado.
7. Peroba-mica envelhecida (de 5 a 30 cm), com encaixe macho e fêmea e resina ou cera. Cerca de R$ 290 o m² colocado, na Aroeira. 8. Assoalho (15 cm) de cumaru tipo demolição, da linha Antiquity, da Indusparquet. Com comprimento de até 5 m. R$ 276 o m² colocado. 9. Régua (20 cm) de araucária legítima, entre 3 e 5 m. Na Terra Brazil, R$ 240 o m². 10. Cedro envelhecido (de 10 a 40 cm), na cor cinza-antigo. Alcança 6 m de comprimento. De R$ 250 a R$ 500 o m², na Terra Brazil.
1. Canela de demolição (de 5 a 30 cm) com até 3 m de comprimento e encaixe macho e fêmea. Já com cera ou resina, tem preço que começa em R$ 320 o m² colocado. Da Aroeira. 2. Cumaru envelhecido (10, 15 ou 25 cm), com comprimento variado e encaixe macho e fêmea, da Parquet SP. Cerca de R$ 285 o m² instalado.
3. Miolos de cruzeta antiga com acabamento ebanizado e disposição no padrão escama de peixe. Do Empório dos Dormentes, em tamanhos sob encomenda. R$ 360 o m², incluindo a instalação. 4. Peroba de demolição, que preserva restos de tinta. Da Lavoro & Arte, mede 20 cm de largura e 2 a 3,50 m de comprimento. R$ 280 o m² instalado.
5. Réguas de peroba-rosa de demolição (5 cm), colocadas de forma aleatória. Da Assoalhos Monet, possuem até 2,90 m de comprimento. R$ 159 o m² instalado, com acabamento natural. 6. Mistura de frisos envelhecidos de perobinha, com encaixe macho e fêmea e verniz fosco. Tem largura de 6, 7, 10, 15 ou 20 cm e comprimento até 2,10 m. Da Recoma, R$ 308 o m² colocadoOnde Comprar
São Paulo
- Hydrotech - tel. (11) 3832-1924, São Paulo.
- Lauro Murakami - tel. (11) 3097-9812, São Paulo.
- O Relicário Antiguidades - tel. (11) 4412-4644, Atibaia.
- Velho Brasil - tel. (11) 3894-5700, São Paulo.
Fonte : Casa.com.br

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